Quando iniciei a graduação em Psicologia, deparei-me com a pergunta clássica dos primeiros semestres: o que motivou sua escolha? A resposta que sempre me acompanhou era simples, mas carregada de sentidos: o desejo de compreender melhor o ser humano; suas reações diante da vida, seus modos de se comportar, de se posicionar frente às experiências, às dores, às inevitáveis adversidades que nos atravessam. E, claro, uma dose íntima de urgência por respostas às minhas próprias inquietações emocionais; o que hoje reconheço como legítimo ponto de partida para quem escolhe este ofício, desde que não permaneça como o único motor ao longo da jornada.
Foi então que me encontrei com múltiplas formas de pensar o funcionamento da mente e do comportamento. Entre elas, a Psicanálise me atravessou profundamente.
O amor pela Psicologia foi imediato e intenso, confirmando o que eu já intuía: não há uma única verdade, mas muitas; modos diversos de perceber o mundo, o outro e a si mesmo. Por isso, falar em “certo ou errado” exige cuidado: trata-se de algo atravessado por múltiplos fatores, muitas vezes invisíveis até para quem defende determinada ideia com tanta veemência.
A escolha pela Psicologia me ofereceu muitos presentes; e um deles considero essencial: o reconhecimento do outro em sua singularidade. A alteridade já não me causa estranheza; pelo contrário, compreendo hoje que ela é condição para que exista, de fato, um sujeito. Descobri, ainda, que há uma linha sutil entre o normal e o patológico, entre saúde mental e sofrimento psíquico; e que, salvo em situações extremas (como quando alguém representa risco para si ou para outros), essas definições estão atreladas a padrões sociais que mudam com o tempo e o contexto.
A Psicologia também me ensinou sobre nossa fragilidade comum. Somos todos dependentes, imperfeitos, semelhantes em tantos aspectos, mas essencialmente singulares em nossa história e modo de ser.
Sou profundamente grata pela escolha que fiz. Não porque tenha encontrado todas as respostas; na verdade, as perguntas aumentaram. Mas porque encontrei, através da Psicologia (e especialmente da Psicanálise), a possibilidade de ressignificar minha existência e de lançar um novo olhar, mais sensível e atento, sobre o ser humano.
E as perguntas… continuam me intrigando. E ainda bem.


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